Desmistificando
Tendo em vista que o tempo padrão é definido na cronometragem e por si só de nada vale, a ação da cronometragem deve ser ferramenta para a cronoanálise. O cronoanalista é um homem que de posse desse dado, no estudo de cronoanálise recriará o universo nela contido (TOLEDO, 2004). A Cronometragem como qualquer outra técnica ou ciência, possui uma terminologia especial. Portanto convém definir alguns dos termos especiais empregados na cronometragem ou estudo de tempos.Algumas definições aqui apresentadas foram extraídas e traduzidas da padronização A.S.M.E. (American Society of Mechanical Engineers), sendo estas: Elemento, Elemento constante, Elemento variável, Elemento cíclico, Elemento acíclico, Elemento estranho, Ciclo, Elemento normalizado, Ritmo normal, Tempo normal, Avaliação de ritmo, Hora padrão, Tempo padrão e Tolerâncias ou Suplementos (TOLEDO, 2004). Elemento é a subdivisão do ciclo de trabalho composta de uma sequência de um ou mais movimentos. Numa operação verificam-se, geralmente, três elementos principais:
1- Preparar (ou carregar).
2- Fazer (ou processar).
3- Descarregar.
Há várias razões para se proceder à subdivisão do ciclo de trabalho em elementos:
- Obter a descrição detalhada e sistemática do método cronometrado.
- Possibilitar uma reconstituição precisa do método, quando necessária.
- Verificar a regularidade dos tempos de cada elemento de ciclo para ciclo, e determinar as causas de tempos excessivos quando ocorrem.
- Avaliar o ritmo do operário em cada elemento individual
- Padronizar o tempo para uma mesma seqüência de movimentos.
- Balancear linha de montagem e outros
Há regras práticas que auxiliam a determinar qual a seqüência de movimentos que constitui um elemento:
1- Um elemento é a mínima porção comensurável de tempo, tendo princípio e fim definidos.
2- Um elemento deve ter duração suficiente para permitir uma tomada de tempo precisa.
3- A decomposição da operação em elementos e a descrição dos elementos devem ser feitas com clareza e precisão de detalhes, de modo a permitir a utilização rápida e fácil por outras pessoas, bem como a sua incorporação num sistema de padronização de elementos, sempre que possível.
4- Os elementos manuais devem ser separados dos elementos de máquina, bem como os constantes dos variáveis, sempre que possível.
Elemento constante é um elemento para o qual o tempo normalizado é sempre o mesmo, a despeito das características das peças nas quais ele é realizado, tanto quanto método e as condições de trabalho permaneçam inalterados. É também um elemento para o qual, o tempo-padrão é sempre o mesmo. O fechamento da porta de uma máquina injetora no ciclo de trabalho pode ser um exemplo de elemento constante.
Elemento variável é o elemento para o qual o tempo normalizado é variável, embora o método e as condições do trabalho permanecem os mesmos. Por outro lado, são elementos normais aqueles cujos tempos registrados durante a cronometragem se mantêm dentro de certa regularidade, de ciclo para ciclo.
Elemento cíclico é o elemento que se repete cada vez que a operação é realizada, isto é, cada vez que uma peça ou uma unidade é produzida em determinada máquina ou posto de trabalho. Pegar uma peça e introduzi-la no dispositivo pode ser um exemplo de elemento cíclico.
Elemento acíclico é o que não ocorre em cada ciclo. Mas é uma parte necessária da operação. Pode, entretanto, ser realizado cada cinco, dez ou a cada cem peças, ou em intervalos irregulares, exemplos: 1- Apanhar um lote de peças num local distante do local de trabalho. 2- Lubrificar a ferramenta ou equipamento. 3- Controlar dimensional do produto, etc. Elemento estranho é o elemento representado por uma interrupção que não seja uma ocorrência regular do ciclo de trabalho, e para a qual não se fez provisão na seqüência normal dos elementos de uma cronometragem, exemplos: 1- Deixar cair uma ferramenta. 2- Conversar com um colega de trabalho. 3- Prestar informações ao supervisor, etc. O Ciclo é a realização completa pelo operário de todos os elementos de uma operação, com início e fim definido. Assim, por exemplo, a soma dos seguintes elementos de uma operação simples de fazer um furo de 1/8” numa peça constitui o ciclo da operação, o qual se repete para cada peça que recebe o furo: 1- Pegar peça sobre a mesa da máquina e posicioná-la sob a broca. 2- Baixar a árvore até a broca encostar-se à peça. 3- Fazer o furo. 4- Levantar a árvore. 5- Por a peça de lado, sobre a mesa da máquina. Tempo normalizado (normal ou elementar) é o tempo elementar médio ou selecionado e ajustado por avaliação de ritmo, ou outro método de ajustagem, que representa o tempo requerido de um operário qualificado para realizar um elemento de uma operação. Ritmo normal é o ritmo de trabalho geralmente empregado pelos operários trabalhando sob supervisão capacitada. Esse passo pode ser mantido dia após dia, sem fadiga mental ou física excessiva, e é caracterizado pelo exercício quase ininterrupto de esforço razoável. Tempo normalizado ou normal é o tempo requerido por um operário qualificado, trabalhando no ritmo normal dos operários em geral sob supervisão hábil, para completar um elemento, ciclo ou operação, seguindo um método preestabelecido. É também a soma de todos os tempos elementares normais que constituem um ciclo ou uma operação. Avaliação de ritmo é um método que compara a rapidez e a precisão com que o operário realiza os movimentos necessários para executar uma operação com o conceito que o observador tem de tempo normal. Hora padrão é uma hora de tempo durante a qual uma quantidade específica de trabalho de qualidade aceitável é ou pode ser feita por um operário qualificado, seguindo um método prescrito trabalhando em um ritmo normal, sujeito a paradas e a fadigas normais, ou seja, é a produção horária. Tempo padrão é o tempo que se determina seja necessário para um operário qualificado trabalhando num ritmo normal e sujeito a demoras e a fadigas normais, para executar uma quantidade definida de trabalho de uma quantidade especificada, seguindo um método preestabelecido. É o tempo normalizado acrescido das tolerâncias para fadigas e demoras. Tolerâncias ou Suplementos são acréscimos de tempos incluídos no tempo normalizado de uma operação, a fim de compensar o operário pela produção partida por causa de fadiga e das interrupções normalmente previstas, tais como as paradas pessoais e as inevitáveis.
CONCLUSÃO
Através da comparação entre as primeiras tomadas de tempos de produção e as posteriores, após a implantação das melhorias de métodos e processos, deveremos sentir a evolução da produtividade conseguida com a utilização da cronoanálise (tempos e métodos ou teoria das restrições), como ferramenta de geração de significativos ganhos no cenário do chão de fábrica.
Veja como a cronoanálise pode beneficiar sua empresa!
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